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FRAUDE MILIONÁRIA: AGÊNCIA DE INFLUENCIADORES É ACUSADA DE RETER PAGAMENTOS E OCULTAR CONTRATOS

  • Foto do escritor: Bruno Calixto
    Bruno Calixto
  • 23 de jan.
  • 4 min de leitura

Atualizado: 30 de jan.

Introdução


Explodiu na mídia mais um caso de fraude milionária. Mas, desta vez, não está envolvida nenhuma instituição bancária, pública ou privada, e sim uma agência de influenciadores.


A Hello Group é uma agência que presta serviços para diversos influenciadores digitais, entre eles o casal do perfil @2depais. O serviço típico de uma agência como essa consiste em identificar oportunidades de negócios para os criadores de conteúdo e intermediar contratos com marcas, como ações de publicidade e parcerias comerciais, ficando a agência com um percentual sobre o ganho financeiro dessas negociações.


Feita essa breve introdução, é importante entender o caso.


AS ACUSAÇÕES


Alguns influenciadores agenciados pela Hello passaram a publicar, em suas redes sociais, acusações graves contra a agência, relatando falta de repasse de valores, atrasos recorrentes nos pagamentos e ausência de transparência quanto aos valores efetivamente negociados nos contratos firmados com as marcas.


O perfil @2depais, por exemplo, aponta um prejuízo de quase meio milhão de reais, aproximadamente R$ 500 mil, referente a serviços prestados para marcas em campanhas publicitárias cujos valores não teriam sido repassados. Inicialmente, os influenciadores acreditavam que as próprias marcas estavam em atraso com os pagamentos. Contudo, posteriormente descobriram que os valores já haviam sido integralmente pagos à agência, que, por sua vez, não realizava o repasse devido aos influenciadores.


A partir daí, o caso começou a ganhar proporções ainda maiores. Outros influenciadores que também eram ou haviam sido agenciados pela Hello Group passaram a relatar situações semelhantes: valores repassados a menor, pagamentos feitos com meses de atraso, contratos fechados sem conhecimento do criador de conteúdo e, em alguns relatos mais graves, até mesmo assinaturas supostamente falsificadas em documentos contratuais.


A influenciadora Lari Teófilo, por exemplo, afirmou que a agência ocultava o valor real dos contratos firmados com as marcas, realizando repasses inferiores ao que efetivamente havia sido pago. Além disso, relatou que contratos teriam sido firmados sem sua autorização, levando empresas a acreditarem que havia anuência formal da influenciadora quando, na prática, ela sequer tinha ciência da negociação. Situação parecida foi narrada por outros criadores, como Cesinha Fernandes e Zel Junior, que relataram prejuízos financeiros, desgaste emocional e a necessidade de buscar o Judiciário para tentar reaver valores que eram seus por direito.


Chama atenção que, em diversos relatos, os influenciadores afirmam que não tinham acesso direto às marcas, ficando completamente dependentes da agência para informações básicas como valores negociados, prazos de pagamento e até mesmo a existência ou não do repasse. Esse cenário de assimetria de informação criou o ambiente perfeito para atrasos injustificados, desculpas genéricas e, segundo os denunciantes, verdadeiro desvio de valores.


A agência, por sua vez, em nota pública, afirmou estar apurando internamente as denúncias e reiterou seu compromisso com a legalidade e a boa-fé. No entanto, independentemente do desfecho judicial do caso, o episódio acende um alerta importante para todo o mercado de influência digital.


Influenciadores denunciam fraude de agência

A IMPORTÂNCIA DE CONTAR COM UM ACOMPANHAMENTO JURÍDICO


O influenciador, embora muitas vezes se veja apenas como criador de conteúdo, é também um prestador de serviços, um empresário de si mesmo. Contratos de publicidade, parcerias com marcas, agenciamento de carreira e até mesmo relações com outras empresas do setor envolvem obrigações jurídicas, valores expressivos e riscos concretos. Quando essas relações são intermediadas sem acompanhamento jurídico, o criador acaba ficando vulnerável, sem domínio das cláusulas que assina, sem controle sobre os valores negociados e, muitas vezes, sem mecanismos eficazes de cobrança.


Ter um jurídico acompanhando a carreira do influenciador não é luxo e nem exagero. É o jurídico que negocia cláusulas, exige transparência nos contratos, define formas claras de repasse, estabelece prazos, cria mecanismos de fiscalização e, principalmente, atua preventivamente para evitar que situações como as relatadas venham a acontecer. Além disso, o advogado não atua apenas na relação com a agência, mas também diretamente com marcas, plataformas, parceiros comerciais e demais relações contratuais que surgem ao longo da trajetória do influenciador.


UM ARRANJO SIMPLES PODERIA EVITAR ESSA SITUAÇÃO


A exemplo de soluções contratuais que poderiam evitar fraudes como essa e, ao mesmo tempo, trazer mais eficiência fiscal, estaria a previsão expressa, tanto no contrato de agenciamento quanto nos contratos firmados diretamente com as marcas, de que os pagamentos fossem realizados de forma segregada, diretamente na conta de cada parte, agência e influenciador, em suas respectivas proporções. Essa estrutura simples aumenta significativamente a transparência da operação, elimina a concentração de valores nas mãos de um único intermediário, reduz o risco de retenções indevidas e ainda evita problemas fiscais, como a bitributação ou a tributação sobre valores que não representam receita efetiva do influenciador ou da agência. Além disso, esse modelo facilita a conferência dos pagamentos, a prestação de contas e a comprovação de rendimentos, trazendo segurança jurídica para todos os envolvidos na relação.


CONCLUSÃO


O caso da Hello Group mostra, de forma didática e dura, que confiar cegamente em intermediários pode custar caro. Meio milhão de reais, meses de trabalho, desgaste emocional e exposição pública são consequências que poderiam, em muitos casos, ser minimizadas ou evitadas com uma estrutura jurídica mínima e bem orientada. No mercado digital, profissionalização não é opcional. E ter um jurídico ao lado é parte essencial dessa profissionalização. Bruno Calixto | Seu aliado jurídico no mundo digital.

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