Conta do instagram desativada: Perfil em rede social como ativo econômico protegido
- Bruno Calixto
- 19 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
No atual cenário da economia digital, perfis profissionais em redes sociais deixaram
de ser meros espaços de interação social para se consolidarem como verdadeiros ativos econômicos. Empresas, profissionais liberais, influenciadores e pequenos empreendedores utilizam essas plataformas como principal meio de divulgação, captação de clientes e geração de receita.

A construção de um perfil comercial envolve investimento financeiro, tempo, estratégia de marketing, produção de conteúdo e, muitas vezes, aportes significativos em publicidade paga. O resultado desse processo é a formação de uma base de seguidores, reputação digital e reconhecimento de marca — elementos que possuem valor econômico mensurável.
Nesse contexto, a conta em rede social passa a integrar o patrimônio do titular, ainda que em formato intangível, assumindo função equivalente à de um ponto comercial no ambiente físico. O caso mais recorrente levado ao Judiciário ocorre quando lojistas ou influenciadores têm a conta do instagram desativada, de forma unilateral, com impacto direto na atividade econômica.
Exclusões e bloqueios como interferência na atividade econômica
Quando uma plataforma digital promove a suspensão, limitação ou exclusão de um perfil profissional, especialmente de forma unilateral, sem motivação clara ou oportunidade de defesa, ocorre uma interferência direta na atividade econômica do usuário.
Diferentemente de uma conta pessoal, o bloqueio de um perfil comercial pode resultar em:
Interrupção imediata das vendas
Perda de contratos em andamento
Redução abrupta de faturamento
Abalo da credibilidade junto ao público
Desvalorização da marca construída ao longo do tempo
Tais consequências extrapolam o mero dissabor cotidiano e atingem o núcleo da atividade produtiva, configurando potencial violação a direitos patrimoniais.
Do ponto de vista processual, as demandas judiciais envolvendo bloqueio ou exclusão de perfis profissionais têm como objetivo principal a reativação imediata da conta, por meio de medidas liminares ou tutelas de urgência.
Isso porque o maior prejuízo não está apenas nas perdas já sofridas, mas sobretudo na continuidade da restrição de acesso, que impede o titular de postar conteúdos, interagir com o público, manter o engajamento e preservar a relevância do perfil nos algoritmos da própria plataforma.
Permanecer inativo por tempo prolongado no ambiente digital pode gerar danos progressivos e de difícil reparação, tornando a rápida intervenção judicial essencial para a preservação da atividade econômica.
Abusividade e responsabilidade das plataformas
Embora as plataformas digitais operem sob termos de uso próprios, esses contratos não são absolutos. No ordenamento jurídico brasileiro, cláusulas contratuais estão sujeitas a princípios como a boa-fé objetiva, a função social do contrato e o equilíbrio entre as partes, sobretudo diante da evidente assimetria entre usuário e big tech.
A exclusão arbitrária de contas, sem fundamentação adequada ou respeito ao contraditório, pode caracterizar abuso de direito, ensejando responsabilização civil. O simples fato de a plataforma ser proprietária do ambiente digital não autoriza práticas que inviabilizem, sem justificativa legítima, a atividade econômica de terceiros.
Indenização por danos materiais e morais
Uma vez reconhecida a natureza econômica do perfil profissional, as violações praticadas contra ele podem gerar danos indenizáveis.
Os danos materiais podem abranger:
Lucros cessantes
Perda comprovada de faturamento
Investimentos desperdiçados em anúncios e campanhas
Cancelamento de contratos
Já os danos extrapatrimoniais, ou morais, podem estar presentes quando o bloqueio causa:
Abalo à imagem profissional
Prejuízo à reputação comercial
Exposição negativa perante clientes e parceiros
A análise é sempre casuística, mas o entendimento judicial vem evoluindo no sentido de reconhecer que o impacto dessas medidas vai muito além de um simples inconveniente tecnológico.
Tendência do Judiciário e segurança jurídica digital
O Judiciário brasileiro tem demonstrado sensibilidade crescente à realidade dos negócios digitais, especialmente quando fica evidenciado que a rede social exerce papel central na geração de renda do usuário.
Decisões recentes reforçam a ideia de que a economia digital não está fora da proteção jurídica tradicional. Ao contrário, exige adaptação dos institutos clássicos do Direito Civil, Empresarial e do Consumidor para garantir segurança jurídica em um ambiente cada vez mais dependente de plataformas.
Considerações finais
Reconhecer a conta em rede social como ativo econômico é reconhecer que o ambiente digital faz parte da vida produtiva real. Bloqueios arbitrários não são meros atos administrativos internos das plataformas, mas medidas capazes de gerar prejuízos concretos e juridicamente relevantes.
Diante desse cenário, a prevenção jurídica, o correto enquadramento contratual e a pronta reação a violações são medidas essenciais para proteger negócios digitais e garantir a continuidade da atividade econômica no ambiente on-line.
Bruno Calixto | Seu aliado jurídico no mundo digital.
Conectando Direito, Negócios, Inovação e Creator Economy.
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